Saturday, December 26, 2009

Cascata Sao Miguel


Cascata São Miguel
Originally uploaded by marcelvh.com.br
Aproveitei o fim do dia de Natal e o sábado para passear um pouco. As belezas naturais da regiião são inúmeras. Na foto, a cascata São Miguel, que fica no bairro de mesmo nome em Dois Irmãos.
Esta foto tirei de cima da ponte de madeira um tanto quanto precária que pode ser acessada vindo de Ivoti, pela estrada que vem do Buraco do Diabo e passa pelo CTG do Municipio.
A área é muito linda mas menosprezada pelo poder público de Dois Irmãos - justiça seja feita, menosprezada há anos. Espero que alguém se dê conta disso e do tanto de recurso que a cidade pode estar perdendo por não explorar turisticamente o local em toda a sua potencialidade.

Monday, December 7, 2009

Sopro de ar - artigo de Denis Rosenfield sobre a eleição para o DCE da UFRGS

O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) foi, durante décadas, controlado por grupos mais à esquerda da comunidade estudantil, com destaque para o PSOL, o PSTU, o PT e o PCdoB. Era como um jogo de cartas marcadas, em que esses grupos, entre si, disputavam o poder. O ambiente vigente era o de partidos orientados por ideias anteriores à queda do Muro de Berlim, como se, para eles, o mundo não tivesse mudado nem mostrado as vicissitudes da democracia totalitária. O mundo estudantil era um mundo de ideias bolorentas.

Temos presenciado, em particular, recentemente, no Estado de São Paulo, como estudantes cada vez mais radicalizados invadem prédios da Reitoria, impedem a entrada de professores e funcionários e procuram, de todas as maneiras, impedir o livre desenvolvimento do trabalho acadêmico e da pesquisa. A liberdade é fortemente cerceada. Sua preocupação não é a vida universitária, mas a política, servindo a primeira como mera correia de transmissão da segunda. O conhecimento e o mérito são simplesmente relegados. Falta um ar renovador nesse ambiente asfixiante.

Eis que, na UFRGS, conhecida como preponderantemente de esquerda, acontece algo totalmente inusitado. Um grupo de estudantes, não partidário, portanto, não vinculado a nenhum partido político, diz-se de "direita", enfrenta esses diferentes grupos/partidos de esquerda e ganha as eleições para o DCE ? 35 votos foram a diferença matemática que garantiu à Chapa 3 derrotar outras três chapas esquerdistas, uma delas formada por militantes do PSOL, outra por radicais do PSTU e a última por filiados do PT e do PCdoB.

O curioso aqui reside em que esse grupo não é apenas dito de "direita" por seus opositores esquerdistas, mas se assume como tal. Sabemos que essas distinções não deixam de ser relativas, pois, por exemplo, o PT, para o PSTU (e para o PSOL), é um partido que abandonou a "esquerda", por ter "traído" as suas posições doutrinárias. O PT, nessa perspectiva, ter-se-ia tornado "neoliberal". Convém, contudo, analisarmos quais são as bandeiras desse grupo de "direita", para que tenhamos uma visão mais precisa de sua concepção.

Em seu material de propaganda, eles estampam como preocupação central a excelência acadêmica. Suas demandas consistem em melhores laboratórios, mais verbas para a compra de livros e melhores condições gerais de ensino e pesquisa. Se essa é reconhecidamente uma bandeira de "direita", isso significaria dizer que os grupos de esquerda são contra a excelência acadêmica, melhores laboratórios e bibliotecas mais bem equipadas. O contraste, aqui, é particularmente evidente no que diz respeito a uma concepção de universidade e, por extensão, de sociedade.

Sabemos que esses grupos de esquerda têm especial ojeriza pelo mérito, que, no entanto, é próprio do desenvolvimento do conhecimento e da ciência. Alguns se destacam; outros, não. Alguns progridem; outros, não. Há uma diferenciação própria do avanço do conhecimento e da pesquisa, mostrando quão simplórias são as ideias de igualdade para dar conta de tal tipo de situação. Uma sociedade desenvolvida não aposta numa equalização por baixo do conhecimento e da ciência, mas numa diferenciação por cima. E é o conjunto da sociedade que ganha com isso, dos menos aos mais bem aquinhoados.

Outro anátema para a esquerda reside numa proposta de incentivar o empreendedorismo. A finalidade consiste numa maior integração universidade-empresa, com o lucro sendo revertido na formação dos estudantes e na pesquisa. Para eles, a universidade deve voltar-se para fora, não ficando fechada em si mesma, seguindo ideias conforme as quais qualquer envolvimento com empresas significaria uma perda de sua "pureza", uma queda no "mal". Caberia mesmo a pergunta: de qual "pureza" se trata? Só pode ser a "pureza ideológica" de ideias que vicejam no mofo. O novo programa estudantil está centrado no mercado de trabalho, com o após universidade, com a criatividade, com a inovação, com a interação com a sociedade.

Outra bandeira ostentada pela chapa vencedora foi a da segurança. Normalmente é esta, também, considerada uma bandeira de "direita". Com efeito, o novo DCE pensa que maior segurança é necessária nos câmpus universitários. Propugna até por um convênio com a Brigada (Polícia) Militar. Para a esquerda, é algo intolerável. Qual é, porém, a situação real, para além da demagogia? O que os estudantes ? e os professores e funcionários ? vivem na universidade é uma situação de insegurança, com roubos, assaltos e mesmo estupros. Alguns câmpus não podem ter, normalmente, cursos noturnos. Isso quer dizer que a "esquerda" pensa em manter essa condição de insegurança sob o pretexto de que a Brigada Militar não deve entrar na universidade? Quem responde, então, pela segurança, bem maior, de todo cidadão? Os militantes esquerdistas?

Uma outra ousadia do programa "direitista" consiste em proclamar o seu engajamento por eleições transparentes. Até agora as eleições foram feitas com urnas aleatoriamente dispostas em determinadas unidades, em horários igualmente arbitrários. Por exemplo, em unidades onde a "direita" era forte, as urnas funcionavam num exíguo período de tempo, dificultando, portanto, a participação, sobretudo de estudantes não engajados partidariamente. Em unidades onde a "esquerda" era forte, as urnas funcionavam durante todo o dia, num horário elástico. A nova proposta visa a ampliar a participação para todos os estudantes via meios eletrônicos, como o portal da universidade, mediante o uso de senhas. Logo, segundo a "direita", as eleições devem ser eletrônicas, transparentes, evitando a fraude, e propiciando ampla participação. A "esquerda" é contra, exibindo, aliás, o seu perfil "democrático"!

O mofo de certas ideias foi arejado por um sopro de ar!

Denis Lerrer Rosenfield é professor de Filosofia na UFRGS. E-mail:denisrosenfield@terra.com.br

Monday, November 30, 2009

Encontro de Competitividade no Panamá reuniu 32 jovens líderes latino-americanos


Um evento único. Assim foi descrito o encontro sobre Competitividade ocorrido na Cidade do Panamá e organizado pela associação dos ex-alunos da Georgetown University que cursaram o Programa de Liderança Política e Empresarial. Já em sua terceira edição, o programa reúne anualmente jovens líderes de diferentes países latino-americanos para discutir e aprender com palestrantes e professores como tornar nosso continente mais competitivo.
Em dois dias, repetimos a experiência que tivemos em Washington, desta vez no calor de um país da América Central e com colegas das edições de 2007 e 2008 do curso. Uma das oportunidades que pude aproveitar, foi a de apresentar aos meus colegas e professores o andamento do projeto de palestras para a Juventude Progressista em todo o país e pude, eu mesmo, falar um pouco sobre o que está ocorrendo no país, politicamente, neste momento.

É interessante estar num país da América Central como o Panamá porque confirma-se o que já percebemos em Washington: apesar de o Brasil fazer divisa com quase todos os países da América do Sul e seu povo falar uma língua não muito distinta do espanhol, falamos muito mais das notícias e da cultura que vêm da Europa e dos Estados Unidos do que nosso hermanos. Eles conhecem muito da cultura dos demais países da América Latina e a imprensa deles trata muito mais de assuntos regionais do que a nossa. E aí está a ironia: o Brasil quer tanto a integração regional e ser líder dos demais países latino-americanos, mas eles sabem muito mais deles próprios e de nós do que o contrário .

Thursday, November 26, 2009

Em São Paulo, visita a Francisco Turra


Aproveitando a estada em São Paulo durante o feriadão de 02 de novembro, fiz uma visita de cortesia a Francisco Turra, presidente da Associação dos Criadores e Exportadores de Frango do Brasil - ABEF - e ex-Ministro da Agricultura de FHC.

Ocupando Turra também a presidência da Fundação Milton Campos de Estudos Políticos do Partido Progressista, nossa conversa gravitou sobre o futuro do partido, especialmente a necessidade de sua inserção internacional. Ao concordarmos sobre a importância da integração regional e do diálogo entre partidos políticos do continente, apresentei a ele resultados práticos da minha participação, no início deste ano, do Programa de Liderança para a Competitividade Global de Georgetown, em Washington, DC.

Minha seleção para a temporada de estudos ao lado de jovens da América Latina e Península Ibérica também se deu graças ao apoio de Turra em uma carta de recomendação. O motivo principal da visita foi, pois, agradecer ao ex-Ministro pela sua indicação e colocar-me à disposição da Fundação Milton Campos, da forma que sua direção achar mais conveniente, para repassar aos demais progressistas os conhecimentos adquiridos em Washington.

Monday, June 22, 2009

Claudio Weber Abramo, diretor-executivo da ONG Transparência Brasil, começou falando de financiamento de campanha e, depois, sobre um monte de outros assuntos que têm relação indireta ou nenhuma com o tema proposto... seguem frases:

"Querem proibir as empresas que financiam o caixa 2 de doar para o caixa 1"

"E se for financiamento público exclusivo, como se distribui a grana? Por isso que veio a história da lista... que acaba só beneficiando quem já está na política e os líderes partidários"

" A Reforma política não trata do problema central que é o de representação política no Brasil"

"Interesse deles [parlamentares em exercício do mandato]: grana de campanha e se manterem nos seus cargos"

"Não é uma reforma que importa para nós, eleitores"

"O presidente nomeia 30 mil pessoas, direta ou indiretamente, e o Estado de São Paulo, 20 mil. Porque um politico quer uma subprefeitura, a diretoria do INSS, pra quê? A resposta está no número de casos de corrupção no país: 3,7 novos casos de corrupção são noticiados POR DIA no Brasil"

"As relações entre Executivo e Legislativo no país - e vice-versa - é uma relação de achaque pelas verbas de contingência a que o primeiro tem direito"

Horário eleitoral nada gratutio: custou R$ 242 mi só em 2008!

Financiamento não é equitativo entre os partidos. Cristaliza desigualdade entre eleitores e entre partidos. O financiamento público pretende ser solução para ambos os problemas. Mas não é, diz Marcelo Barroso Lacombe. "Há outras ferramentas muito mais eficientes para combater isso e, inclusive, a corrupção". Na Europa, com excessão da Holanda - não sabia disso! -, que recebe muito recurso privado de indivíduos, o financiamento público é que compõe a maior parte das receitas dos partidos políticos. Alemanha, França... mas isso não foi sinônimo de erradicação da corrupção.

Na América Latina, nenhum país tem financiamento público exclusivo. No Brasil, uma parte da campanha, como já lembrei antes, é financiada por dinheiro pública - é o caso, por exemplo, do horário eleitoral na televisão e no rádio. Só que esse horário eleitoral não é nada gratuito: só em 2008, Lacombe disse que custou R$ 242 milhões em isenção fiscal para transmissão da propaganda partidária. Nos últimos sete anos, são R$ 2 bilhões, sem contar a inflação.

Pergunto eu: além disso, ainda querem um fundo de R$ 7,00 por eleitor a cada nova eleição? Me poupe... e poupem os cofres públicos!

"Sempre haverá interesses privados nas eleições"

Alfredo Englert, ex-presidente do TRE, me parece estar fazendo uma análise bastante coerente: melhor do que financiar campanhas exclusivamente com dinheiro público - que "não será a solução para todas as mazelas" -, é saber exatamente QUEM financia os candidatos.

Sempre haverá interesses privados nas eleições, disse o desembargador, e frisou, "sempre haverá". "As doações são legais, e não vejo nenhum problema em pessoas doarem desde que saibamos quem doou. Com o financiamento público, o financiamento privado vai continuar - e vai piorar!" Ou seja, com o financiamento público o candidato vai ter mais dinheiro garantido - o que virá do governo - e o caixa 2 vai inchar um tantão.

Mais fácil, ao meu ver, é fazer como nos EUA. Praticamente todo recurso é privado e qualquer cidadão, inclusive com cartão de crédito e pela internet, pode fazer doações ao candidato ou partido de sua preferência.