Hoje foi o dia mais surpreendente de todos os que tivemos até aqui. Tanto que não poderia deixar de registrá-lo neste blog. Tivemos na mesma sala a oportunidade de ter uma aula com dois ex-presidentes: Andres Pastrana, da Colômbia, e José María Aznar, da Espanha. Aznar nos contou que esteve com Pastrana à tarde em algum evento em Washington e acabou conseguindo trazer ele ao nosso encontro. Tema do encontro: Plano Colômbia. Parêntesis: o Plano Colômbia iniciou no governo Pastrana e trata-se de uma parceria entre os governos norte-americano e colombiano para combater a droga no país que é maior produtor mundial de cocaína.
Anotei o tudo o que pude em meus cadernos sobre o que foi dito em aula com uma avidez que surpreendeu a mim mesmo. Além do interessante que é o tema, o debate que se gerou com duas pessoas que foram partícipes ativas no cenário político mundial foi algo inesquecível e que merecia registro. Como há liberdade de cátedra na Universidade, vou restringir-me aqui ao óbvio e entrar pouco em detalhes no que foi dito por ambos - o que não me impede de falar pessoalmente com alguém que se interesse sobre algum outro aspecto relevante abordado.
 Os resultados do Plano Colômbia apontados como tangíveis pelo presidente foi o fortalecimento das Forças Armadas e a parceria alcançada com americanos e europeus. Estratégia número um para erradicar a droga: atacar os bolsos dos traficantes agindo diretamente sobre a fonte da droga. Para isso, achar um produto agrícola substituto para os camponeses é fundamental. Depois, a instituição de programas sociais para as famílias pobres do campo, tanto para jovens, como para a família deles - pareceu bastante com as bolsas de FHC e Lula. Contudo, atacar a produção sem golpear a demanda não adianta muito. Os países do primeiro mundo, por isso, precisam fazer mais campanhas contra o uso das drogas - coisa que, de fato, aqui nos EUA pouco se percebe.
Outro ponto interessante tocado foi a proposta de descriminalização das drogas, e aí houve dois pontos de vistas muito interessantes de ambos, que são contra esse tipo de solução. O primeiro, de Pastranas, é que descriminalizar poderia gerar uma epidemia, ou seja, um consumo tão grande de drogas que fugisse ao controle do governo e da própria população o seu uso e o tratamento da dependência. O segundo, argumento, este de Aznar, é que não adianta haver descriminalização apenas em um ou meia dúzia de países. Se fosse de fato descriminalizar, deveria ser geral pois não há como descriminalizar o lado da oferta e manter como crime nos países com alta demanda e vice-versa.
Dois pontos de vista, convergentes em alguns pontos e divergentes em outro, mas, sobretudo, dois pontos de vista de dois homens que foram presidentes de seus países e a quem tivemos a honra de ouvir e de fazer as perguntas que quiséssemos sobre um tema tão importante para toda a América Latina.




